domingo, 12 de junho de 2011

O Tesouro de Bresa




Houve, outrora, na Babilônia um pobre e modesto alfaiate, chamado Enedim.

Homem inteligente e trabalhador, que, por suas boas qualidades e amor no coração, era muito querido no bairro em que morava.

Enedim passava o dia inteiro, de manhã à noite, cortando, costurando e preparando as roupas de seus numerosos fregueses, e, embora, muito pobre, não perdia a esperança de vir a ser muito rico, senhor de muitos palácios e grandes tesouros.

Como conquistar, porém, essa tão ambicionada riqueza? – pensava o mísero alfaiate – Como descobrir um desses famosos tesouros que se acham escondidos?

Ouvira contar, histórias prodigiosas de aventureiros que haviam topado com cavernas imensas, cheias de ouro… E não poderia ele, à semelhança desses aventureiros felizes, descobrir um tesouro fabuloso?

Ah! Se tal coisa acontecesse, ele seria, então, senhor de um imenso e magnifico palácio… Teria numerosos escravos, e todas as tardes, num grande carro de ouro, puxado por mansos leões, passearia sobre as muralhas da Babilônia, cortejando amistosamente os Príncipes ilustres da casa Real.

Assim meditava o bondoso Enedim, quando lhe parou à porta da casa um velho mercador da Grécia, que vendia tapetes, imagens, pedras coloridas e uma infinidade de outros objetos extravagantes tão apreciados pelos Babilônios.

Por mera curiosidade, começou Enedim a examinar as bugigangas que o vendedor lhe oferecia, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos.

Era uma preciosidade aquele livro e custava apenas três dinares.

Três dinares. Era muito dinheiro para o pobre alfaiate. Para possuir um objeto tão curioso e raro, Enedim seria capaz de gastar até os dois últimos dinares que possuía.

Está bem, concordou o mercador. Fica-lhe o livro por dois dinares, mas esteja certo de que lhe foi de graça!

Afastou-se o vendedor e Enedim tratou, sem demora, de examinar cuidadosamente a preciosidade que havia adquirido. Qual não foi a sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda, escrita em complicados caracteres caldaicos: “O segredo do tesouro de Bresa”.

Por Deus! Aquele livro maravilhoso, cheio de mistério, ensinava, com certeza, onde se encontrava algum tesouro fabuloso. O TESOURO DE BRESA!

Mas, que tesouro seria esse?

E com o coração a bater descompassadamente, decifrou ainda: “O tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha a encontrá-lo”.

Harbatol? Que montanhas seriam essas que encerravam todo o ouro fabuloso de um gênio?

E o esforçado alfaiate, dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, custasse o que custasse, com o segredo de Bressa, para apoderar-se do tesouro imenso enterrado n’alguma gruta perdida entre as montanhas.

As primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos. Enedim foi obrigado a estudar os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas, o complicado idioma dos judeus.

Ao fim de três anos, deixava Enedim a antiga profissão de alfaiate, e passava a ser o intérprete do Rei, pois na cidade não havia quem soubesse tantos idiomas estrangeiros.

O cargo de intérprete do Rei era bem rendoso. Ganhava Enedim, cem dinares por dia; ademais morava numa grande casa, tinha muitos criados e todos os nobres da corte o saudavam respeitosamente.

Não desistiu, porém, o esforçado Enedim, de descobrir o grande mistério de Bresa. Continuando a ler o livro encantado, encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. E, a fim de ir compreendendo o que lia, foi obrigado a estudar Matemática com calculistas da cidade, tornando-se, ao cabo de pouco tempo, grande conhecedor das complicadas transformações aritméticas.

Graças a esses novos conhecimentos adquiridos, pode Enedim calcular, desenhar e construir uma grande ponte sobre o Eufrates; esse trabalho agradou tanto ao Rei, que o monarca resolveu nomear Enedim para exercer o cargo de Prefeito.

Ativo e sempre empenhado em desvendar o segredo do tal livro, foi compelido a estudar profundamente as leis, os princípios religiosos de seu país e os do povo caldeu; com o auxilio desses novos conhecimentos, conseguiu Enedim dirimir uma velha pendência entre os doutores.

- É um grande homem o Enedim!

Declarou o Rei quando soube do fato.

- Vou nomeá-lo Primeiro Ministro.

E assim fez. Foi o nosso esforçado herói, ocupar o elevado cargo de Primeiro Ministro.

Vivia, então, num suntuoso palácio, perto do jardim Real, tinha muitos criados e recebia visitas dos príncipes mais poderosos do mundo.

Graças ao trabalho e ao grande saber de Enedim, o reino progrediu rapidamente e a cidade ficou repleta de estrangeiros; ergueram-se grandes palácios, várias estradas se construíram para ligar Babilônia às cidades vizinhas.

Enedim era o homem mais notável do seu tempo. Ganhava diariamente mais de mil moedas de ouro, e tinha em seu palácio de mármore e pedrarias, caixas cheias de jóias riquíssimas, e de pérolas de valor incalculável.

Mas – coisa interessante! – Enedim não conhecia ainda o segredo do livro de Bresa, embora lhe tivesse lido e relido todas as páginas!

Como poderia penetrar naquele mistério?

E um dia, conversando com um venerando sacerdote, teve a ocasião de referir-se à incógnita que o atormentava.

Riu-se o bom religioso, ao ouvir a ingênua confissão, e, afeito a decifrar os maiores enigmas da vida, assim falou:

- “O tesouro de Bresa já está em vosso poder, meu senhor. Graças ao livro misterioso é que adquiristes um grande saber, e esse saber vos proporcionou os invejáveis bens que já possuis.

Bresa significa “saber”. Harbatol quer dizer “trabalho”.
Malba Tahan
do livro: Os Melhores Contos

9 comentários:

ValériaC disse...

Maravilhoso este conto...a riqueza do saber, aliada ao trabalho com dedicação são um grande tesouro.
Está lindo seu Blog querida...
Beijinhos...
Valéria

Brasigrega disse...

Lindo conto e de muita sabedoria!
Beijão!
Saudades!

Maria Alice Cerqueira disse...

Boa tarde amiga
Muito bonito este conto!
tenha um lindo final de semana!
abraço fraterno
Maria Alice

Denise disse...

Muito interessante esse conto. Todas as conquistas do mundo só depende de nós. Temos q acreditar n nosso potencial e trabalhar muito. Apesar de q acredito q a riqueza espiritual é mais importante do q a riqueza material. Muita paz!

Denise disse...

O blog http://conhecerkardec.blogspot.com completa 1 ano de existência dia 30/7. Deixei para vc selinho comemorativo no blog. Faça uma visitinha. Muita paz!

Maria selma disse...

Muito lindo este texto...através de nosso esforço e dedicação é o gde tesouro....
vim conhecer este espaço e já gostei,sigo seu espaço.beijo

Dalila disse...

Boa tarde, muito lindo o texto... Achoq que o tesouro está no coração de cada um de nós.. mergulhemos e nós mesmos e encontremos...
Gostei muito deste lugar, espero que possa me visitar tbm e seguir, se gostar..
www.jejp.blogspot.com
A Felicidade Começa em Mim..
abraços
Dalila

Carol e Julie disse...

Oie Ari, tudo bem? Somos Carol e Julie e queremos antes de mais nada te dar os parabens por esse blog lindo! Estamos te seguindo, segue de volta? pinkpunk-online.blogspot.com
Vamos ficar esperando sua visita!
Beijinhooss
Carol e Julie

Carol e Julie disse...

Oie Ari, é agente de novo! Muito obrigada pelo selo. Também queremos dedicar o nosso a você! É so ir no pinkpunk-online.blogspot.com e ir na pág "Selos"
Obrigada mais uma vez,
Carol e Julie

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